Ai sim!
No dia 12 de junho, estive na exibição do filme-documentário MOZ NOV/DEZ 2025, dentro da programação do Festival de Arte Negra 2026 (FAN), e tive a honra de receber o convite para conduzir um bate-papo com o realizador dessa obra após a exibição.

Alexandre de Sena é um multiartista mineiro que atua em várias frentes artístico-culturais na cidade e pelo mundo. No filme, exercendo as funções de direção, direção de fotografia, condução do argumento, montagem e finalização, ele trouxe, além de uma obra, uma apresentação de como e onde posiciona o seu olhar.
Documentário realizado a partir de um intercâmbio em Moçambique, reunindo encontros com gestores e artistas em Maputo e Nacala-Porto. O filme propõe uma reflexão sobre gestão cultural negra, território e continuidade, a partir de entrevistas e relatos em primeira pessoa.
Mais do que apresentar conclusões, o vídeo compartilha processos, escutas e experiências que permanecem em movimento.
FICHA TÉCNICA
Áudio inicial:
José Maria de Sena
Entrevistados:
Évaro de Abreu – 16 Neto Espaço Cultural
Phayra Baloi – Artista da cena e tecnologias
Adriano Tesoura – Projeto Alegria
Ivan Laranjeira – Festival e Museu Mafalala
Trilha sonora:
“Xitchuketa Marrabenta” – Stewart Sukuma
“Nwahulwana” – Wazimbo
“A coisa mais esperançosa e mais dilacerante são a mesma” – Emicida
Imagens adicionais:
Arquivo Museu Mafalala (Euronews e O. Económico)
Projeto, roteiro, captação e edição:
Alexandre de Sena

Alexandre de Sena diz que esse projeto era para ser apenas um relatório sobre o fazer artístico-cultural em Moçambique, por meio de um edital, mas ele transformou esse relatório em uma obra que revela sua sensibilidade de escuta de homens negros, fazedores da cultura em Moçambique, que enfrentam a escassez e, mesmo assim, continuam fazendo.
No nosso bate-papo, perguntei para Alexandre sobre a escolha estética para essa obra, na qual temos uma câmera fixa no entrevistado durante os diálogos. Aparentemente, é uma forma simples de fazer um filme, mas, durante a conversa, nosso imaginário é guiado pelos relatos, nos colocando em modo de visualização e prendendo nossa atenção ao que está sendo dito. Uma característica muito presente nas produções de filmes africanos, em que o filme acontece na oralidade. Não temos imagens mostrando o que a pessoa vai fazer, fez ou algo do tipo.
Temos a pessoa como testemunha do que ela e outros fizeram.
Como se fosse um momento de fofoca.
Alexandre de Sena me relatou que o tempo era curto para poder fazer várias imagens e que precisava percorrer grandes distâncias, causando uma “limitação”. Mas é nessa limitação que ele se coloca exatamente ao lado do fazer cinematográfico africano.
Esse tipo de obra é do tipo que eu gostaria de reunir com todos para assistir, tomando um café e batendo aquele papo em que nem vemos o tempo passar.
Agora, sobre os relatos dos produtores, é intrigante, porque é muito forte ver que, apesar dos pesares, homens negros, realizadores de cultura, continuam, mesmo estando no background da cena, correndo atrás de recursos mínimos e entregando o máximo.
A semelhança do que acontece lá e aqui no Brasil é extrema.
Já dizia Marcus Garvey que a condição do homem negro não é diferente no mundo inteiro.
