Um episodio simples de um desenho tosco me fez chorar…Eu tava de boa, quentinho no meu quarto, esperando só mais um 13º episódio engraçado da quarta temporada… quando do nada South Park me dá um soco emocional na cara. (Resenha baseada em minha opinião)
Sobre o que é esta resenha?
Não é qualquer episódio, não. Foi daqueles construídos com um cuidado absurdo. Minucioso mesmo. Tudo encaixadinho… só que ao invés de rir, eu chorei. E SIM, eu tô falando sério.
Desde a segunda temporada, tem um personagem que vem ganhando meu coração como telespectador: Timmy.
Ele é um personagem com deficiência, anda de cadeira de rodas, movimenta os braços, e basicamente só fala o próprio nome… tipo um “Pokémon humano”, mas com muito mais carga emocional do que parece à primeira vista.
O episódio gira em torno de um musical escolar sobre o Dia da Liberdade (com aquele clássico peru americano sendo sacrificado e tal). O Eric Cartman, no auge do surto de diretor egocêntrico, tá coordenando tudo — aquele caos organizado que a gente já conhece.
Só que aí começa a competição: as crianças querem fazer o melhor espetáculo possível, cheio de coreografia, grandioso… e colocam o Timmy como protagonista, já que a peça envolve um personagem que passa por um “milagre”.
Até aí, beleza.

Empatia – Adoção e abandono?
O bagulho começa a mudar quando surge a ideia de incluir um peru acrobata (sim, isso mesmo). E é aí que a história vira.
Eles vão numa granja escolher o animal… e o Timmy se apega a um peru completamente fora do padrão: frágil, tortinho, rejeitado.
E mano… dá pra ver claramente que ele se identifica com o bicho.
Ele leva o peru pra casa, cuida dele, dorme com ele… cria um vínculo de verdade. E nessa hora o episódio começa a sair da zoeira e entrar num território perigosamente sensível.
Enquanto isso, o Cartman e um produtor trazem uma outra peru — toda “estrela”, cheia de frescura, estilo artista mimada. E aí começa o conflito: o peru do Timmy não serve pro espetáculo… pelo menos não na visão deles.
E é aqui que o episódio fica pesado de verdade.
O produtor manipula o Timmy psicologicamente, mete medo nele, fala que vão levar o peru dele embora pra testes… uma maldade nível mundo real mesmo. Daquelas que incomodam.
E aí vem a cena…
Mano. A cena.
O Timmy foge com o peru, vai pra um lugar isolado… e decide soltar o bichinho pra “proteger” ele.
Só que ele só fala “Timmy”… e mesmo assim você entende tudo.
Ele vira as costas. O peru volta.
Ele insiste. O peru volta de novo.
E quando finalmente se afasta…
“-o menino chora e eu tambem…”
Do nada, o episódio começa a intercalar essa cena com histórias de casais que se separaram, arrependimentos, abandonos… e tudo vai ficando mais pesado, mais simbólico, mais… real.
Quando eu vi, eu já tava soluçando.
Sim, SOLUÇANDO vendo South Park.
Nem quando o Kenny morre eu fiquei assim (e sim, ele morre nesse episódio também, mas nem teve aquele bordão clássico… e honestamente? me fez muita falta, aquela clássica fala “- FILHOS DA PUUUTA!”).
E como se já não bastasse, o peru ainda é capturado por um caminhão de abate… escapa por causa da deficiência… e ainda é perseguido pelos caçadores.
Nesse ponto, eu já tinha esquecido completamente que tava vendo um desenho.
Eu tava torcendo. Sofrendo. Envolvido.
O episódio até tenta dar uma aliviada no final, trazendo uma resolução mais feliz… mas o estrago emocional já tava feito.
E eu tô aqui escrevendo isso quase como um desabafo mesmo.
Porque, na moral?
Eu comecei querendo rir…
e terminei pensando em falar disso na terapia.
Essa quarta temporada tá vindo diferente. Menos palavrão, mais profundidade… e uns golpes emocionais que eu definitivamente não tava preparado. E ó… episódio satisfatório pra caramba.
Mas que me destruiu, me destruiu.

