50 anos de história e carreira para 2 horas de filme?
Hoje foi dia de cinema pra assistir o filme do Michael. E quando eu digo que teve muito “Hi Hi!” e pouco “Rusbé!”, é justamente pra te chamar atenção pra um ponto importante: essa é uma resenha baseada na minha opinião — e também numa visão crítica.
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O filme chegou com uma divulgação PESADA. Daquelas de tirar o chapéu e jogar pro alto. Muito marketing, burburinho, gente falando bem em vários cantos do mundo… e até umas estratégias curiosas, tipo membros da família que não quiseram ser citados. Tudo isso ajudou a inflamar aquele famoso “fogo de palha” pra fazer geral comprar a ideia.
E eu comprei, parcialmente.
Porque, como fã e como alguém que acompanha a trajetória do artista, bate aquela expectativa: “nó… vem coisa boa aí”. E assim… se fosse só pra ver os videoclipes do Michael no cinema, já valia. Porque são atemporais, absurdamente bem produzidos e gostosos de assistir até hoje.
Mas aqui a proposta é outra: homenagear uma lenda. E já começo dizendo — o filme claramente tenta agradar todo mundo. E isso, no cinema, é uma missão quase impossível. Falando tecnicamente (sim, eu olho essas paradas), a atuação é um dos pontos mais fortes. O menino que interpreta o Michael em diferentes fases — infância, adolescência e início da vida adulta — manda MUITO bem.
As microexpressões faciais… papo de nível Oscar mesmo. Dá pra sentir o desconforto, a pressão, o peso das situações. É bonito e doloroso de assistir. E falando em dor… o pai. Que personagem. O ator que interpretou o pai conseguiu gerar uma repulsa absurda. Um cara nojento, opressor, sufocante. E isso não é defeito — é mérito de atuação. Porque a gente sabe o que rolava ali na vida real. Um verdadeiro carrasco.
Agora… vamos falar do “elefante” na sala:

Absolute Michael
2 horas pra contar 50 anos de carreira é ousadia, não conseguiram. E isso impacta diretamente na narrativa. O filme começa na infância, passa RÁPIDO por essa fase, dá uma acelerada na adolescência e já cai direto na vida adulta — mais especificamente ali até 1988, encerrando com a turnê Victory com os Jackson 5.
E aí… corta. Sim, com promessa de continuação. Então muita coisa que a galera esperava ver simplesmente não tá aqui. E não é erro exatamente — é escolha narrativa. Mas pode frustrar quem foi com expectativa lá no alto. Outro ponto interessante são as decisões sobre quem aparece ou não no filme. Muita gente comentou: “cadê fulano?”, “por que não mostraram ciclano?”. E pelo que circulou, teve gente que pediu pra não ser retratada por conta de questões sensíveis.
E faz sentido. Cinebiografia mexe com ferida. E quando envolve alguém do tamanho do Michael Jackson, aí o negócio fica ainda mais delicado — principalmente considerando acusações, polêmicas e tentativas de manchar a imagem do rei ao longo da vida.
O filme, inclusive, evita entrar pesado nessas partes. Ele foca mais no lado humano, na construção do artista, nos traumas e nas conquistas.

Homenagem ou merchan?
Visualmente? Cinema puro. Fotografia, estética, ambientação… tudo muito bem feito. Não vi em IMAX, mas a experiência visual já foi suficiente pra valorizar o trabalho.
Trilha sonora nem preciso falar, né? É Michael Jackson mano. Não tem erro. É hit atrás de hit. A cenografia também manda bem, principalmente quando mostra o lado mais íntimo — os mini estúdios, o processo criativo dentro de casa, as referências de infância (Disney, Pinóquio, Peter Pan…). Inclusive, rola até aquela dúvida: homenagem ou merchan?
Cadê a piração artística?
Entra uma das minhas maiores questões com o filme, faltou explorar o lado criativo do artista. E isso, pra mim, faz MUITA falta. Michael Jackson não era só performer. Ele era um gênio criativo. Pega Thriller, por exemplo. Aquilo não é só música — é engenharia sonora. Ele gravava múltiplas camadas de voz, em diferentes frequências, sem autotune, criando efeitos únicos na base da técnica e da obsessão.
E o filme passa por isso de forma muito superficial. Pincela somente a afirmação positiva que é sim uma coisa importante para o sucesso. Mostra que ele já era talentoso desde pequeno? Mostra.
Cita influências como James Brown? Sim. Mas não aprofunda, não conecta, não cruza essas referências. E mano… por que não mostrar um encontro com o próprio James Brown? Ou explorar melhor essa troca artística?
Sem falar no Prince. Tem até uma brincadeira no filme sobre “captar do universo” — porque se ele não captasse, o Prince captava, hahaha. — mas fica nisso. Não desenvolve essa rivalidade criativa, deliciosa que existia entre os dois e outros varios.

Rusbé!
No fim das contas… É um bom filme? Sim. Mas segura a expectativa, calabreso hospiciano.
Ele entrega muita coisa boa, emociona, tem momentos fortes e uma atuação brilhante. Mas também deixa lacunas — principalmente pra quem queria um mergulho mais profundo na genialidade artística do Michael. (Meu caso por exemplo)
Eu não chorei (e achei que ia, pelos comentários que vi), mas assisti com emoção e admiração. Porque, independente de tudo, estamos falando de um artista gigantesco, atemporal, absurdo. E cinebiografia é isso: difícil de agradar todo mundo. Esse aqui tenta — e talvez seja justamente aí que ele perde um pouco da força. Agora é torcer pra continuação vir mais corajosa… e mais profunda.
