Vamos de desserviço… porque olha… que experiência, viu.
Fui assistir esse Pinóquio esperando pelo menos aquele “tchan” que sempre vem quando alguém resolve revisitar um clássico. Mesmo sabendo o final, a gente vai na fé de ver uma abordagem diferente, um tempero novo… mas aqui em minha opinião? Nem cheiro
Não sei como a Disney autorizou isso…
E não é nem pela qualidade técnica, tá? O filme até tem uma estética ok, uma imagem bonita, o boneco do Pinóquio é bem feito (chega a parecer coisa de IA de tão lisinho). Mas falta alma. Falta impacto. Falta motivo pra existir.
E aí entra o ponto que me pegou: depois do sucesso de Pinóquio de Guillermo del Toro (que ganhou Oscar e tudo mais), esse aqui parece muito aquele projeto que tava esquecido na gaveta e alguém falou: “vamo lançar isso aí antes que ninguém lembre mais”.
A história? Aquela mesma base que todo mundo conhece: o velho Gepeto (marceneiro raiz, guerreiro da madeira) que cria o boneco, a magia acontece, o menino ganha “vida” e segue sua jornada até virar humano. Só que aqui… tentaram mudar algumas coisas — e nem sempre pra melhor.
Ao invés do clássico grilo conselheiro, temos TRÊS baratas. Sim, baratas. Só que bem vestidas, filosóficas, quase coaches motivacionais do esgoto. Uma escolha… ousada e achei bacana isso.
E no lugar daquela descida caótica pro mundo da farra, vício e perdição que a gente já viu em outras versões (inclusive na clássica da The Walt Disney Company), aqui o Pinóquio vai pro circo/teatro e vira praticamente um artista de teatro. A ideia até tinha potencial como no filme Frankie e os monstros, tem até resenha deles aqui no Hospicio nerd… mas fica rasa nessa proposta.

Aqui o pinoqui”Ô” não mente
Pelo visto, o único nariz que cresceu no filme foi o do produtor que falou que seria um sucesso, juntamente com os musicais. Coreografias pobres, movimentos limitados, energia de ensaio de escola na semana da apresentação. Dá a sensação de que a galera tava ali pagando boleto e só. As músicas? meio bonitinhas até… mas esquecíveis. Não marcam, não emocionam, não dizem nada de novo ou profundo.
E isso é o mais frustrante: Pinóquio sempre foi sobre identidade, liberdade, consciência. Aquele lance de “não há cordas me controlando” — que inclusive ecoa até em coisas como Vingadores: Era de Ultron, uma releitura da animação de 1940 — simplesmente não tem peso nessa versão aqui a ser lançada.
Veja o texto completo da musica de 1940:
Eu vou provar para vocês
Boneco eu sou, mas sou assim
Quem quiser me examinar
Não há cordões em mimNão há ninguém que faz minha movimentação
E essa é a minha vozNão é voz de outro não
Eu vim aqui fazer um show
Boneco eu sou, mas sou assim
Quem quiser me examinar
Não há cordões em mimSe em você não há cordões
Pra lhe fazer movimentar
De onde eu vim se usa só
Tamancos para andar
E ula la!
Comme ci comme ca
Essa savoire-faire é de espantar!
Cantarei só em francês
Pour moi et pour vousEu vim lá de moscou
Pra cantar aqui no show
Da-da, boneca sou
Que vim lá de moscou, ah!Hey! Hey!
Hey! Hey!
Hey!Ei! Não há cordões em mim
CREDITOS (Letras musicas Br)

Cadê o conflito, a reflexão e o soco filosófico?
Fiquei até o final na base da fé, da resistência e de um leve senso de auto-punição, esperando uma virada… um plot… qualquer coisa que justificasse. Mas não. O filme se mantém naquele looping de “dança, canta, anda, canta, dança” e você só fica pensando: “meu Deus, acaba”.
Agora, sendo justo: não é um desastre completo. Tecnicamente funciona, tem momentos visualmente interessantes e uma curiosidade ou outra — tipo uma das baratinhas com uma dublagem que lembra MUITO o estilo do Eddie Murphy (alô, Burro do Shrek 👀).
Mas no fim das contas?
É aquele tipo de filme que você coloca… pra dormir.
Não é recomendação terapêutica oficial, mas olha… funciona melhor como sonífero do que como entretenimento.
Se você quiser assistir, vai na sua conta e risco. Pode ser que você curta. Pode ser que veja algo que eu não vi.
Mas aqui, na sinceridade do titio:
Não vale o ingresso.
