Sim, eu resisti à terceira temporada de South Park, OK?
E, com isso, pude lembrar do passado, quando isso aqui foi uma febre. Muitas pessoas falavam várias coisas e fechavam com “OK” no final das frases. Isso acontecia muito porque, na época — seja na terceira temporada ou até antes disso —, eu não podia assistir, já que minha mãe dizia que aquilo não era desenho para criança.
E hoje eu entendo… porque, na época, eu só escutava muito “OK, OK”, e essa repetição se dá muito por causa do pedagogo/psicólogo da escola de South Park, que tem esse vício de linguagem. Ou melhor: tem mesmo. No final de cada frase, conversa… ele soltava esse “OK”, que, embora seja muito chato, também é uma característica específica do personagem. Então bora de resenha baseada em minha opinião.
Ave Maria, cheia de graça…
Além disso, nessa temporada, sinto muito: não deu pra contar quantos palavrões foram ditos. Mas foram muitos. E, ao mesmo tempo, houve bastante aprofundamento dentro das salas de aula, no contexto escolar mesmo, e também em momentos de viagens e passeios.
Por outro lado, pude perceber que essa temporada trouxe muito aquele fundinho de música de reflexão, sabe? Aquele clima de pensamento… e, então, as crianças soltavam aquelas frases de efeito, com um momento motivacional sobre qual foi a lição aprendida no episódio.
Nessa terceira temporada, isso ficou mais nítido — e, inclusive, se repetiu bastante. Não exatamente sobre o mesmo contexto, mas sobre aquela sensação de: “peraí… foi mais um besteirol… mas o que eu aprendi com isso?”. E aí vem o próprio episódio e fala: “aprendemos uma lição hoje…”, e a lição era sobre parará, parará… blá blá blá… (numa enrolação meio galhofa mesmo).
E, mesmo assim, não deixa de ser um momento bonitinho e inocente por parte das crianças. Porém, em algum momento, vêm aquelas quebras de padrão — e isso torna tudo muito engraçado, cômico… justamente por ser muito tosco.
Ah! não! Matamos o Kenny!
Nessa temporada, também teve várias mortes inesperadas do próprio Kenny. E, assim… foram mortes meio bobas? Sim. Nada muito inovador. Porém, ainda assim, diferentes dentro do que foi apresentado.
E eu gostei disso porque, quando eram causas não naturais e não provocadas por pessoas, faltava o bordão clássico. E isso, de certa forma, me fez bem. Inclusive, teve momento em que eu, assistindo ao episódio, quando ele morreu por algo do universo, xinguei o próprio universo junto com a cena. Isso foi engraçado.
Aliás, isso é bom porque eu fiquei imerso no que estava assistindo. Era só eu e aquela realidade animada, rindo do que estava vendo. E isso foi satisfatório pra mim, enquanto público.
Agora, indo além… essa temporada se aprofundou um pouco mais na inocência das crianças. Porque, mesmo quando dizem “crianças, não façam isso senão o monstro da floresta vai pegar vocês”, a criança, na sua inocência, acredita. E, dentro da lógica da série… aquilo acontece.
Ou seja, sai completamente da realidade.
Em Nome de deus e do amor, Mandem $$$ para ajudar
Porém, essa temporada também traz provocações indiretas que eu não posso deixar passar. Principalmente quando envolve discussões políticas e responsabilidade de governo.
Tem um episódio, por exemplo, em que a polícia está investigando uma seita religiosa. Eles tentam invadir a casa para acabar com a seita… mas, na verdade, é uma festa de adultos. Enquanto isso, as crianças estão ali, curtindo.
E aí, nesse episódio, a polícia simplesmente mata pessoas a sangue frio e diz que foi “efeito colateral”, porque houve reação. E isso mostra muito como política e governo, às vezes, lidam com a população: criam narrativas, sustentam versões… e, no ápice, justificam tudo como proteção.
Além disso, as crianças conseguem gravar a situação e mandar para um jornalista do lado de fora, que solta a matéria. E, justamente quando a polícia ia entrar para fazer uma chacina… eles mudam o discurso: “foi apenas um teste de simulação”.
Ou seja: tiram o deles da reta e evacuam todo mundo.
E eu fiquei tipo: “putz… isso passou em desenho, em televisão aberta…”. Dá uma preocupação real quando se pensa em polícia e política, porque, quando eles decidem algo, muitas vezes se blindam nas próprias versões.
Claro, essa é uma interpretação minha. Como eu disse desde o início, essa resenha é sobre o que eu assisti e o que eu reflito a partir disso.
Agora, vou partir para a quarta temporada — e, claro, vou trazer a resenha aqui pra vocês entenderem o que esperar (ou não), sempre na minha visão.
E você, se já assistiu ou está revendo, comenta aqui embaixo o que você percebeu. Porque South Park tem isso: muita coisa escondida nas entrelinhas… e muita coisa escancarada também.
No fim das contas? Eu gostei muito.
Mas agora eu vou ali numa igreja me benzer, confessar meus pecados, rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria… porque, olha… É muito tosco. E a mente fica bagunçada, “- igual a cueca no trazeiro do Eric hahaha (Stan Marsh)
