Eu não estava esperando por isso
Salve, consagrados e consagradas, hospicianos e hospicianas do meu coração!
Estamos por aqui novamente para entorpecer nossas mentes com uma pílula em forma de resenhar. E hoje é sobre essa personagem clássica dos quadrinhos: Supergirl, dirigida por Craig Gillespie, que vem ajudando a tirar a DC das trevas.
Ah, e vale lembrar que esta pílula contém altas doses da substância denominada MINHA OPINIÃO. Portanto, use com moderação.

Meus amigos e amigas, que felicidade foi entrar em uma sessão em que eu não esperava tanto e recebi ao máximo. Essa experiência foi espetacular.
Preciso confessar que, devido a experiências passadas, me pego com receio em relação a personagens femininas, por falta de melhor desenvolvimento e profundidade das mesmas, que acabam se tornando apenas um recorte da perspectiva dos personagens masculinos. Mas isso não ocorreu nessa obra, que entrega argumentos e questões que alfinetam essa dinâmica do cinema e da sociedade em geral com as mulheres.
Por exemplo, o filme poderia ficar preso na necessidade de afirmar constantemente que a heroína é forte e precisa ser reconhecida o tempo todo, algo que temos visto com frequência, numa tentativa de reafirmar pautas sociais que são muito válidas, mas que, quando não bem equilibradas dentro da narrativa, podem acabar prejudicando o desenvolvimento da história e soar excessivamente forçadas.
Da mesma forma, em algumas obras com protagonismo de personagens negros, o tema do racismo aparece de maneira tão central e reiterada que, em certos casos, acaba ocupando mais espaço do que a própria construção dos personagens e da trama.
E repito: essas são lutas extremamente importantes, e a arte tem, sim, responsabilidade em refletir e dar visibilidade a essas dores. O ponto aqui é quando isso deixa de ser parte orgânica da história e passa a funcionar como um peso constante sobre a narrativa. Felizmente, Supergirl encontra um equilíbrio muito interessante nesse aspecto.
MAS O FILME É BOM?
O filme entrega tudo o que queremos quando vamos ao cinema: atuações dignas do universo DC, personagens mal-encarados, ranzinzas e sorrateiros. Um destaque para o vilão, que faz o circo pegar fogo sem rodeios e sem um pingo de empatia.
Craig Gillespie entregou uma estética bem fiel ao tom da DC Comics, mas ao mesmo tempo não tão sombria. Existe aqui um equilíbrio muito bem dosado entre o peso emocional da narrativa e a aventura fantástica que esperamos desse universo.
Os diálogos trazem alfinetadas precisas sobre o nome da personagem, entrando aí no campo da militância. Afinal, por que Kara não é a Superwoman em vez de Supergirl, sendo que o Superman não é o Superboy? São observações sutis espalhadas ao longo do filme e que fazem sentido dentro da trama, sem parecerem inseridas à força.
A fotografia é muito impressionante. Não vou entrar em detalhes técnicos porque, com o orçamento desse filme, eles não podem entregar menos que um grande espetáculo. Mas o que me alegrou muito, muito mesmo, foi o fato de o filme não parecer um videogame o tempo todo.
As cenas de luta são muito realistas, bem ensaiadas e transmitem impacto. Existe peso nos golpes, consequência nos confrontos e uma sensação de presença física que anda cada vez mais rara em grandes produções do gênero.
RESUMO:
Filme incrível, do início ao fim!
Uma obra que respeita sua protagonista, entrega espetáculo quando precisa, emoção quando necessário e entende que personagens bem construídos sempre serão mais importantes do que discursos vazios.
Um filme que, sem dúvida, irei assistir novamente e indicar sem receio!!
